Embora tenham chegado até nós referências à existência anterior de uma Banda em Ourém, o primeiro documento que se refere a um agrupamento desta natureza sedeado na então denominada Vila Nova de Ourém  tem data de 13 de Abril de 1930.

Trata-se de uma acta de uma reunião realizada naquele dia, no  antigo Cine-Teatro, da qual resultou a constituição de uma Comissão Organizadora composta por um conjunto de ilustres oureenses com o objectivo de formar uma Banda Filarmónica.

Na sequência do trabalho desenvolvido por esta Comissão, constituiu-se esta associação em 23 de Julho de 1930, sob a denominação de BANDA DE VILA NOVA DE OURÉM, tendo-se procedido à aprovação dos Estatutos e à eleição dos primeiros Órgãos Sociais,  com Joaquim Pereira como Presidente da Direcção, D. Luís de Vasconcellos (Barão de Alvaiázere) como Presidente da Mesa da Assembleia Geral e o Dr. Joaquim Francisco Alves como Presidente do Conselho Fiscal.

Com a apresentação pública da Banda, a 23 de Agosto de 1931, sob a regência do Sr. Inácio de Vasconcelos e apadrinhada pela Banda de Alcobaça, cumpriu-se um dos passos mais importantes da longa caminhada iniciada em 1930 e que hoje continua a trilhar.

Até 28 de Dezembro de 1964 manteve a Banda de Vila Nova de Ourém uma actividade regular, tendo conseguido grande projecção, actuado um pouco por todo o país e realizado uma deslocação a Espanha (Vigo), em 1963.

Uma das provas mais marcantes da sua pujança foi a construção da sede, na segunda metade da década de cinquenta, um belo edifício que meio século depois continua a ser o suporte da vasta actividade desenvolvida por esta colectividade.

Dificuldades várias, em grande parte relacionadas com o início da guerra colonial e o forte surto emigratório, que culminaram na impossibilidade de se encontrar uma equipa directiva que assumisse os destinos da colectividade, conduziram a que a Banda suspendesse a sua actividade no referido ano de 1964.

Corria o ano de 1971 quando um antigo executante da Banda, o Sr. Armando Rodrigues se propôs fundar um grupo coral. Em resultado do seu empenhamento, tal grupo surge de facto em 1 de Junho de 1972, sob a sua orientação, com a denominação de “Chorus Auris” e ocupando a sede da BANDA, que se encontrava encerrada e desaproveitada.

Foi o ponto de partida para o renascer da actividade musical em Ourém. No mesmo espaço, tendo como base o próprio coral, a actividade musical vai-se desenvolver sempre em crescendo, dando lugar ao surgimento de novos grupos: Coral Infantil em 1974, Orquestra Típica em 1982, Banda Juvenil em 1985 (actualmente denominada Orquestra de Sopros), o grupo de música popular “Romeiros” em 1990 e Escola de Dança em 1998 e a Banda Juvenil da Escola de Música em 2007.

O acto fundador do “Chorus Auris” veio dar uma nova vida à Banda, que entretanto alterou a sua designação para Academia de Música Banda de Ourém (AMBO), em Abril de 1999, a qual se torna a verdadeira “Casa da Música de Ourém”, o que lhe confere o reconhecimento como “Pessoa Colectiva de Utilidade Pública” por Despacho do Primeiro-Ministro de 29/09/1987 e leva à atribuição pela Câmara Municipal de Ourém da medalha de ouro de mérito municipal em 20 de Junho de 1994 e da medalha de ouro do município, em 20 de Junho de 2005, assinalando o seu 75.º Aniversário.

Procurando assinalar condignamente os setenta e cinco anos de existência, delineou a  Academia de Música Banda de Ourém um conjunto alargado de iniciativas, sob o patrocínio de uma Comissão de Honra, integrando um vasto leque de personalidades e presidida por Sua Excelência o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.

As comemorações tiveram os seu ponto alto no dia 23 de Julho de 2005 com uma sessão solene, presidida pela Secretária de Estado Idália Moniz, no decorrer da qual se prestou homenagem aos fundadores e aos sócios mais antigos, se inaugurou uma exposição retrospectiva da vida da colectividade  e se fez a apresentação pública da obra para Coro e Banda “APOLLINIS”, do compositor Jorge Salgueiro, encomendada expressamente para esta ocasião.

“Apollinis” foi o título escolhido para a designação de um trabalho discográfico comemorativo dos 75 anos da AMBO, no qual participaram todos os agrupamentos da AMBO (Coral Infantil, Chorus Auris, Orquestra Típica, Orquestra de Sopros e Romeiros).

Embora com diferentes Secções, cada uma com a sua especificidade, têm sido desenvolvidas algumas iniciativas procurando a articulação de diferentes agrupamentos, cujo momento mais importante constituiu a apresentação em 9 de Dezembro de 2007 de uma Cantata de Natal interpretada por todas as Secções, a qual foi repetida dia 06 de Janeiro de 2008 no Auditório do Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

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